Houve a noite, houve o mar e houve o desejo...
Sem que esperasse, ele beijou-a. Ela não resistiu, entregou-se ali, logo de imediato. O olhar malicioso dela foi para ele como que um convite. Ela com a sua inocência de menina já crescida, só pôde sentir o desejo. Ele com a sua maturidade, só soube sentir a ânsia inocente de outros tempos. Que desatino!
Levou-a para o quarto e ali, ele despiu-a, ela despiu-o e entregaram-se como nunca antes o tinham feito. Naquele momento ela desejou pertencer-lhe, fazer das suas vontades uma ordem, agradá-lo, presenteá-lo, obedecer-lhe. Encaixaram-se na extravagância dos movimentos e na simplicidade do toque, do olhar. Envolveram-se em fervor. Ele suscitou nela gemidos, despertou todos os seus sentidos.
E naquela noite foram um só, deixaram o Homem possuir a Mulher, a Mulher sentir o Homem... Soltaram fantasias. Os sentidos tornaram-se matéria-prima que os outros nunca saberão adivinhar. A emoção foram um e outro. Eles amaram-se e compreenderam-se. Ele será eterno dentro dela.
E não foi possível dar um nome àquele instante, àquela noite e ao que aconteceu durante... talvez tenha sido a explicação da vida.
Falo mais nela do que nele, pois consegui ver a alegria do viver e a tristeza da saudade nos seus olhos, no seu rosto, pude sentir tudo isso no seu corpo, na sua alma e no seu espírito.
Viveram uma outra vida, onde os levou o ensejo de ultrapassarem a carne.
Ficou-lhes na boca o desejo de mais se conhecerem, de mais se envolverem.
No final houve o mundo... E ela aguardou com lágrimas que os dias passassem, dias que, por amor, foram o testemunho da negação da sua mais íntima e pura essência: a de viver o momento presente, o hoje sem a preocupação do amanhã, a mais pura felicidade perante a incerteza do que virá, bom ou mau.
Tiveram asas, mas não souberam voar.
Porto
"Quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar, vê um velho casario que se estende até ao mar. Quem te vê ao vir da ponte és cascata sanjoanina erigida sobre um monte, no meio da neblina, por ruelas e calçadas, da Ribeira até à Foz, por pedras sujas e gastas e lampiões tristes e sós. Esse teu ar grave e sério dum rosto de cantaria que nos oculta o mistério dessa luz bela e sombria. Ver-te assim abandonado nesse timbre pardacento, nesse teu jeito fechado de quem mói um sentimento... e é sempre a primeira vez, em cada regresso a casa, rever-te nessa altivez de milhafre ferido na asa." - Carlos Tê
A vida prega-nos cada partida…
ResponderEliminarAndar por zonas que desconhecemos e não dominamos pode-nos levar a lugares nunca imaginados e inesperados.
“Que sentido tem a vida se não vivida na busca da felicidade”, repeti esta expressão
Vezes sem conta, nunca pensando que um dia teria de a validar na minha vida.
Hoje sei melhor que nunca que não se deve julgar os outros, e que muitas vezes a não posso só fazer o que quero tenho que fazer o que não quero, a minha vontade e desejo fica secundada em prol de outros valores também eles importantes.
Também não desejo para os outros o que não quero para mim.