Porto

Porto
"Quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar, vê um velho casario que se estende até ao mar. Quem te vê ao vir da ponte és cascata sanjoanina erigida sobre um monte, no meio da neblina, por ruelas e calçadas, da Ribeira até à Foz, por pedras sujas e gastas e lampiões tristes e sós. Esse teu ar grave e sério dum rosto de cantaria que nos oculta o mistério dessa luz bela e sombria. Ver-te assim abandonado nesse timbre pardacento, nesse teu jeito fechado de quem mói um sentimento... e é sempre a primeira vez, em cada regresso a casa, rever-te nessa altivez de milhafre ferido na asa." - Carlos Tê

domingo, 31 de outubro de 2010

E lá vou eu outra vez...

Já Simone de Beauvoir dizia: "É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta." Por isso e só por isso é que vou agora fazer a mala para passar 3 dias em Lisboa, em reunião. Só por isso...

Halloween

No ano passado comprei esta abóbora no mercado de Vila Real. Obriguei o meu colega de trabalho, coitado, a carregá-la para o carro. Levei-a ao meu pai que a desmiolou e fez esta verdadeira obra de arte para eu usar na noite de Halloween. Infelizmente, ela apodreceu logo na semana seguinte, mas o seu miolo deu-me para fazer sopa durante dois meses!!!

Foo Fighters - Best Of You

Homeless Mustard Sings "Creep" on Opie and Anthony's Sirius/XM show



Há dias em que pensas que a tua vida está ou é uma merda! De facto, chegas a ser confrontado com situações que crês serem injustas, severas, desumanas.... Situações que te provocam sofrimento, desespero, agonia, dor inclusive.
Até que um dia te deparas com uma série de rostos, com as mãos estendidas e olhos vazios e chegas à conclusão que, apesar de tudo, a tua vida é uma vida cheia, tem história.
Dás de caras com a miséria. E mais constrangedor que tudo isso, é veres nesses rostos, não a infelicidade, a desilusão, mas o conformismo, o desapego e o abandono de sonhos, de conquistas e de alento. Já não interessa do que são capazes, pois há muito que deixaram de viver.

Arrumações

Bem... hoje deu-me cá umas ganas! Tal formiguinha, cansei-me de tanto arrumar. Estivesses aqui comigo e até essa mente eu te arrumava... ou não... Acho é que arrumava contigo!

sábado, 30 de outubro de 2010

Conselhos da Vicky


Aos miúdos e graúdos: não façam uma aula de patinagem depois de 2 dias de festa! Acreditem, não resulta...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

(You Gotta) Fight For Your Right (To Party)

Não resisti...

Hoje foi um bom dia!

Sim, os últimos seis dias foram um inferno de tanta ansiedade e outras coisas mais. É incrível como num determinado momento perdes algo, vais perdendo o resto entretanto e noutro estás a recebê-lo novamente e até um pouco mais. Já foi magnífico ter ouvido há alguns dias, por parte do médico, a palavra remissão, palavra e acção tão ansiada mas não esperada tão cedo, confesso!
Hoje ouvi profunda remissão. Nem sei o que sentir, o que falar, tão pouco o que escrever... Não sei se me entendem... mas também não quero saber. Vou festejar! Até breve...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um dos meus favoritos

"O Convite

Não me interessa qual é o teu modo de vida. Quero saber o que anseias, e se te atreves a sonhar alcançar os desejos do teu coração.
Não me interessa que idade tens. Quero saber se arriscas fazer figura de louco por amor, pelo teu sonho, pela aventura de estar vivo.
Não me interessa saber quais os planetas que estão em quadratura com a tua lua. Quero saber se tocaste o centro da tua própria dor, se as traições da vida te abriram ou se murchaste e te fechaste com medo de outros sofrimentos! 
Quero saber se consegues sentar-te com a dor, a minha ou a tua, sem te mexeres para a esconder, disfarçar ou compor.
Quero saber se consegues viver a alegria, a minha ou a tua, se consegues dançar loucamente e deixar que o êxtase te encha até às pontas dos pés e das mãos sem nos advertires para termos cuidado, sermos realistas, ou nos relembrares as limitações de ser humano.
Não me interessa se a história que me contas é verdadeira. Quero saber se consegues desapontar o outro para seres verdadeiro contigo próprio, se consegues suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria alma; se consegues não ter fé e seres, por isso, digno de confiança.
Quero saber se consegues ver a beleza todos os dias, mesmo quando o que vês não é bonito, e se consegues basear a tua própria vida na sua presença.
Quero saber se consegues viver com o fracasso, teu e meu, e mesmo assim erguer-te à beira do lago e gritar "sim!" à lua-cheia prateada.
Não me interessa saber onde vives nem quanto dinheiro tens. Quero saber se depois de uma noite de dor e desespero, exausto, dorido até aos ossos, consegues levantar-te e fazer o que é preciso para alimentar as crianças.
Não me interessa quem tu conheces, nem como chegaste aqui. Quero saber se ficarás comigo no centro do fogo, sem recuares.
Não me interessa onde ou o quê ou com quem estudaste. Quero saber o que te sustém interiormente quando tudo o mais desaba à tua volta.
Quero saber se consegues estar só contigo mesmo e se gostas verdadeiramente da companhia que te fazes nos momentos vazios."

Oriah Mountain Dreamer
Semana difícil e ainda não acabou! Valeu hoje pelos mimos e pelo presente vermelho vivo. Não, não é um Ferrari, mas tem potencial para me levar a muitos sítios!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Arcade Fire - Wake Up

Eu tenho cancro - parte II

... Entretanto, tinha pela frente a mais difícil tarefa de todas, a de dar a notícia aos meus pais. Uma bomba! Ambos ficaram incrédulos, imaginem só qual o significado da doença cancro para alguém que ronda os 70 anos! Imediatamente disseram que estavam comigo, que fariam o que fosse preciso para eu ultrapassar a doença, e que tudo ia correr pelo melhor. Representei pela primeira vez com uma inigualável perfeição, um papel que sempre me foi familiar: o de estar completamente na merda e não deixar que ninguém, ninguém se aperceba. Porquê? Não sei bem. Talvez por uma questão de defesa (esta não é nova), e um pouco de incapacidade que sei que tenho em lidar com as minhas fraquezas emocionais.
Lembro-me que nesse dia, os meus sobrinhos P. e R. também lá estavam. Pedi que eles saíssem da sala, pois precisava de falar com os avós. Fizeram-no sem contestar, mas eu esqueci-me de um pequeno livro que me tinham dado no hospital, acerca do cancro da mama, no aparador do hall da entrada e eles viram-no. Perceberam logo e nesse mesmo dia já perguntavam às mães e irmãos mais velhos o que se passava comigo. Conversei com eles e esta foi a segunda tarefa mais difícil naqueles dias.
Ainda antes de a noite cair, fui ao cabeleireiro cortar o meu longo e lindo cabelo. Cortei-o pelos ombros.
A outra minha irmã não estava no país e quando chegou, o meu sobrinho B. deu-lhe a notícia. Ela enviou-me esta sms: "O homem vale pelo que é e não pelo que faz. E tu és uma grande mulher e vais conseguir ultrapassar tudo isto. Estou contigo." Até então, a relação com esta minha irmã era muito fria e distante. Não me perguntem a razão. Nem eu, nem ela sabemos responder. Aconteceu. Aconteceu até este dia. Costumo dizer e sentir que valeu a pena ter cancro para reencontrar a minha irmã mais velha. Hoje somos muito amigas e cúmplices. Valeu por isto...
Os meus amigos, os meus fantásticos amigos foram aparecendo e ficando ao longo dos dias. Um dia ainda hei-de escrever sobre eles. Vale a pena.
O namorado foi o único que se foi. E não vou escrever sobre ele. Não vale a pena.
Até que conheci o terceiro ser humano maravilhoso ligado à medicina, a minha médica oncológica. Comecei os tratamentos de quimioterapia. Uma invasão cruel e violenta do meu corpo. Fiquei careca em menos de 15 dias. Aliás, mal o cabelo começou a cair, fui rapá-lo. E não é que me ficava bem? A minha cabeça é perfeita!!! Sempre gostei de uma certa irreverêncoa no look como forma de expressão. E nunca me esquecerei da deliciosa sensação que é sentir o vento roçar-nos na cabeça...
Como uma das minhas mais inteligentes decisões que tomei foi continuar a trabalhar até que as forças não me permitissem mais fazê-lo, ainda experimentei algumas perucas a pedido da mami e do meu chefe da altura, um ser humano maravilhoso, mas que já tinha conhecido há alguns anos. Odiei as perucas. Que  coisa tão artificial. Não, não as quis para mim. Decisão tomada!

domingo, 24 de outubro de 2010

Pearl Jam - Just Breathe

Eu tenho cancro - parte I

"Eu tenho cancro." A frase que mais me custou pronunciar há 5 anos atrás. E mesmo das primeiras vezes que o fiz, fi-lo quase que obrigada por mim mesma, não me saiu naturalmente, pois não era sentida, ou eu não queria que o fosse. Começou a sê-lo à medida que a fui dizendo e que a rotina dos dias começou a ser diferente, adaptada a quem tem cancro.
Primeiro a notícia. Um choque tremendo, sem dúvida o mais tremendo da minha vida. Poderia dizer que foi como se o mundo caísse em cima de mim, como se me tirassem o tapete debaixo dos pés e de repente eu me visse a cair num imenso abismo, mas, sinceramente, ainda não encontrei uma frase, um conjunto de palavras capazes de descrever o que senti naquele longo momento.
Não que a notícia me tenha apanhado completamente desprevenida. Primeiro comecei por sentir o nódulo na mama, depois fui fazer uma primeira ecografia que deu como inconclusiva, mas nem por isso me safei do raspanete (como se eu tivesse culpa!) e dos avisos ameaçadores da técnica. Depois veio a segunda, e a biópsia, e as palavras sábias do médico que a fez (o primeiro maravilhoso ser humano ligado à medicina que conheci naquela altura)...
De facto e como pessoa inteligente que sei que sou, tudo indicava para o pior, mas como também sou uma optimista por natureza, a verdade é que nunca deixei de acreditar que o pior não se ia concretizar.
Lembro-me que recebi a notícia num consultório médico no hospital S. João. Lembro-me que desesperei. Sim, naquele instante eu soube o significado de desesperar. Chorei, gritei, pontapiei e esmurrei secretárias, cadeiras e armários. Empurrei pessoas, até que me aninhei a um canto... e chorei mais ainda.
Lembro-me também que uma enfermeira, o segundo maravilhoso ser humano ligado à medicina que eu conheci naquela altura, me orientou para o que me esperaria nos próximos dias. Felizmente que tinha uma das minhas irmãs comigo para ouvir. Eu não ouvi absolutamente nada. E ela levou com toda aquela violência emocional assim, sem estar preparada nem armada para tal.
Acalmei e liguei para o namorado e para a melhor amiga. Imagino que também a eles impus uma responsabilidade que não lhes era devida...
Entretanto, saí do hospital. Que alívio! E de repente, lá estava eu, a pensar que não tinha que ser tudo mau, haveria de existir uma finalidade útil para tudo o que estava a acontecer. Tinha pela frente uma guerra, mas não foi isso o que eu fui pedindo a vida inteira? Desafios para que me conseguisse superar a mim mesma e tornar-me um ser humano melhor? Esta seria a minha oportunidade, de saber quem realmente sou e do que sou capaz. Não quero, detesto aliás, cair em lugares comuns, mas foi mesmo isto que me passou pela cabeça. Disto lembro-me eu e foi neste instante que tudo mudou. O desespero passou ao sentido de pelo menos tentar, ao sentido de responsabilidade perante a vida e ao sentido de querer lutar...

URGENTE

Assim de repente lembro-me destas situações, onde é urgente actuar, envolver, embrenhar, trabalhar, agir, enfim... fazer algo. É impressionante que no mesmo mundo, onde existem vidas maravilhosas como a minha e a tua, haja tanta gente a sofrer nas mãos e interesses de poucos, com ainda menos escrúpulos, moral e altruísmo.

Refugiados
Exploração e escravatura
Tráfico humano
Pedófilia
Prostituição
Sem-abrigo
Fome, pobreza e miséria
Violação dos direitos-humanos
Exclusão social
Crimes de guerra
Alfabetização
Pena de morte
Racismo, xenofobia e homofobia
Controlo de armas
Violência sobre mulheres
Mutilação genital feminina
Terrorismo
Água potável
Preservação das florestas
Reciclagem
Lixos Tóxicos
Preservação de espécies
Direitos dos animais
Animais abandonados
Maus tratos
Touradas e outros espectáculos deprimentes e bárbaros
Caça ilegal
Preservação de espécies
Tráfico de animais exóticos
Testes em animais
Transporte de gado vivo
Animais em circos