Porto

Porto
"Quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar, vê um velho casario que se estende até ao mar. Quem te vê ao vir da ponte és cascata sanjoanina erigida sobre um monte, no meio da neblina, por ruelas e calçadas, da Ribeira até à Foz, por pedras sujas e gastas e lampiões tristes e sós. Esse teu ar grave e sério dum rosto de cantaria que nos oculta o mistério dessa luz bela e sombria. Ver-te assim abandonado nesse timbre pardacento, nesse teu jeito fechado de quem mói um sentimento... e é sempre a primeira vez, em cada regresso a casa, rever-te nessa altivez de milhafre ferido na asa." - Carlos Tê

domingo, 7 de novembro de 2010

"As pessoas tristes não gostam de pessoas felizes, as pessoas felizes aborrecem-se perante as infelizes"

Ter uma dorzinha, da qual se queixar, um problema para contar, ou uma tragédia para representar faz as delícias de muitos. Sentir-se grande por sofrer!
E assim, a capacidade de se ser feliz fica aprisionada pela inútil, mas desejada valorização pessoal e social de se ser um indivíduo dorido e com traços, ainda que leves, de mártir.
E mesmo quando têm momentos de lucidez e querem deixar de se sentir vítimas do universo, surge como que aquela deliciosa imagem de Fernando Pessoa, do homem que quando decidiu retirar a máscara, esta já era a sua cara. Demasiado tarde, meu caros. 
Falo na terceira pessoa, desculpem-me a aparente falta de humildade, mas de facto sei que não sou uma filha renegada de algo superior que existe no nosso mundo, seja ele Deus, Alá ou Universo. Sou sim uma privilegiada pelas pessoas que tenho na minha vida, pelas experiências sentidas e pelas inúmeras oportunidades que vou tendo para existir e sentir-me viva. Não falo tanto das contrariedades, mas mais do alcance conseguido através delas. Eu sinto o coração a bater e o sangue a latejar. E tu, sentes o mesmo? 

"As pessoas tristes não gostam de pessoas felizes, as pessoas felizes aborrecem-se perante as infelizes." - Horácio, poeta romano

Sem comentários:

Enviar um comentário