Porto

Porto
"Quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar, vê um velho casario que se estende até ao mar. Quem te vê ao vir da ponte és cascata sanjoanina erigida sobre um monte, no meio da neblina, por ruelas e calçadas, da Ribeira até à Foz, por pedras sujas e gastas e lampiões tristes e sós. Esse teu ar grave e sério dum rosto de cantaria que nos oculta o mistério dessa luz bela e sombria. Ver-te assim abandonado nesse timbre pardacento, nesse teu jeito fechado de quem mói um sentimento... e é sempre a primeira vez, em cada regresso a casa, rever-te nessa altivez de milhafre ferido na asa." - Carlos Tê

domingo, 5 de dezembro de 2010

Confia A.

Gostava tanto de poder pegar-te no colo, afagar-te a cabeça e deixar que tudo o que te consome te saísse entre lágrimas e soluços, para no fim te dizer para não te preocupares, que tudo vai correr bem, na certeza que tu acreditarias que tudo vai correr bem. Mas não posso...
... Até posso, mas não é suposto, pelos menos pegar-te ao colo. Mas acredita A., vai tudo correr bem. Acredita que sim. Só assim faz sentido. De tantas vezes que me revolto e me zango a valer com eles e de todas estas vezes, no fim de gritar, chorar e estrebuchar, um sentimento de paz e segurança envolve-me na certeza de que tudo vai correr bem. É sempre assim e não evita que me volte a zangar. Mas é assim, sempre assim... e tudo acaba por correr bem. Confia e deixa rolar...

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