Era suposto estares sempre comigo e nunca me abandonares. Era... não! É! É suposto protegeres-me, não deixares que me façam mal, abraçares-me à noite com as tuas asas de arcanjo.
Pior que o mal de todos os outros, homens e mulheres, é o mal que me fazes ao deixares-me aqui sozinha... Eu luto tanto e sabe-lo melhor que ninguém. Preciso de ti, não tenho forças para tanto. Não, não é suposto tu ires embora... não me deixes.
... Se não estás comigo agora, não te quero nunca mais. Sai do meu corpo, sai da minha alma. Sai do meu corpo, sai da minha alma. Não te quero mais!
Porto
"Quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar, vê um velho casario que se estende até ao mar. Quem te vê ao vir da ponte és cascata sanjoanina erigida sobre um monte, no meio da neblina, por ruelas e calçadas, da Ribeira até à Foz, por pedras sujas e gastas e lampiões tristes e sós. Esse teu ar grave e sério dum rosto de cantaria que nos oculta o mistério dessa luz bela e sombria. Ver-te assim abandonado nesse timbre pardacento, nesse teu jeito fechado de quem mói um sentimento... e é sempre a primeira vez, em cada regresso a casa, rever-te nessa altivez de milhafre ferido na asa." - Carlos Tê
Sem comentários:
Enviar um comentário