Cem anos e um dia após a Implantação da República. O que é que isto me diz?
Assim de repente, até poderá sugerir-me a possibilidade de escolher o líder do meu país (mesmo que me arrependa no mês seguinte), mas a verdade é que hoje já nem isso me é preemente enquanto cidadã. Por exemplo, nas eleições anteriores, e muito provavelmente nas próximas, votei em branco. É que diante de tantos palhaços, é-me difícil escolher qual deles faz e poderá fazer mais e melhores palhaçadas. Para mim, são todos iguais com as suas performances da treta. Com a agravante de serem palhaços tristes, ou tristes palhaços, que nada mais fazem do que nos pôr a chorar.
De resto, mais educação?... Não gozem comigo! Mais saúde?... Nã, estamos em estado terminal! Responsabilidade económica? Compromisso social? Liberdade?
... Vou-me ausentar, estou nauseada...
... Não! Pára! Há algo que se mantém imutável, orgulhosamente próprio de português pobre, muito pobre, diria até miserável de espírito. São as comemorações, os festejos, as cerimónias, os protocolos, a pouca vergonha do dinheiro gasto desta forma, em altura de crise e de "apertar o cinto", dizem eles!!!
O que alguns portugueses ainda não perceberam é que a crise económica existe e existirá sempre enquanto persistir esta crise mental nacional.
O que é que cem anos e 1 dia após a Implantação da República me diz? Nada, absolutamente nada!
Porto
"Quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar, vê um velho casario que se estende até ao mar. Quem te vê ao vir da ponte és cascata sanjoanina erigida sobre um monte, no meio da neblina, por ruelas e calçadas, da Ribeira até à Foz, por pedras sujas e gastas e lampiões tristes e sós. Esse teu ar grave e sério dum rosto de cantaria que nos oculta o mistério dessa luz bela e sombria. Ver-te assim abandonado nesse timbre pardacento, nesse teu jeito fechado de quem mói um sentimento... e é sempre a primeira vez, em cada regresso a casa, rever-te nessa altivez de milhafre ferido na asa." - Carlos Tê
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