Porto

Porto
"Quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar, vê um velho casario que se estende até ao mar. Quem te vê ao vir da ponte és cascata sanjoanina erigida sobre um monte, no meio da neblina, por ruelas e calçadas, da Ribeira até à Foz, por pedras sujas e gastas e lampiões tristes e sós. Esse teu ar grave e sério dum rosto de cantaria que nos oculta o mistério dessa luz bela e sombria. Ver-te assim abandonado nesse timbre pardacento, nesse teu jeito fechado de quem mói um sentimento... e é sempre a primeira vez, em cada regresso a casa, rever-te nessa altivez de milhafre ferido na asa." - Carlos Tê

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Mau tempo na Madeira

Eu não sou de entrar em pânico facilmente, mas confesso que hoje vivi momentos difíceis, aqui no Funchal.
Desde ontem à tarde que choveu, quase continuamente. A água abundou estradas abaixo e as sarjetas ficaram entupidas. As pessoas mostraram-se receosas e algumas até em pânico. Compreendo, não estive aqui em Fevereiro, mas vi imagens aflitivas e hoje tive uma ligeira percepção da violência do que aconteceu.
Grande parte do comércio no centro do Funchal fechou ao início da tarde e o trânsito ficou caótico, vários minutos para avançar poucos metros. A marginal esteve intransitável por várias horas. O nervosismo, esse era por demais evidente nos condutores. Nervosismo esse que quando atinge verdadeiras bestas, que julgam que o temporal só se abate por cima das suas cabeças e sobre mais ninguèm, acabam por ter reações brutais, como a do condutor que quase me atropelou, acabando por me empurrar para uma poça de água, só por que ele ia abrigado dentro do carro e eu ia no passeio a tentar desviar-me da chuva que corria rua abaixo e me chegava, quase aos tornozelos, e ainda por cima sem guarda-chuva!!! As ribeiras no centro eram castanhas e a água corria com uma violência tremenda. As sirenes fizeram-se ouvir por todo o Funchal.
Saí do hospital Dr. Nélio Mendonça por volta das 13h e ao entrar no parque de estacionamento, uma senhora aflita e em pânico pedia às pessoas para não tentarem sequer tirar os carros, pois os pisos estavam inundados. O meu carro só estava 4 níveis abaixo do solo. Os elevadores estavam desligados, e a água que corria escadas abaixo metia medo, de tanta que era. Resolvi esperar e fi-lo por cerca de meia-hora. Entretanto, a chuva parou por cerca de mais 20 minutos e a água nas escadas abrandou. Resolvi tentar descê-las, até para perceber em que condições se encontrava o carro. Quando cheguei ao piso -4, o carro estava bem, assim como eu, apesar de a água me chegar aos tornozelos. Consegui tirá-lo do parque, ainda que com muitos deslizes, ora para a direita, ora para a esquerda.
Não estou nada habituada a estas situações e cheguei a sentir medo. Por fim, tudo correu bem, para mim.
Sei que até a esta hora não foram registados feridos e apenas houve um desalojado. Apenas houve um desalojado, como se fosse apenas... para esse concerteza que o facto de perder a casa teve o mesmo peso de um mundo inteiro...

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