Bolas... e estou eu, a um domingo à tarde, sentada no sofá da sala a ver o telejornal (sim, eu deixei de deprimir desde que deixei de ver televisão, mas de vez em quando tenho recaídas...), e fico CHOCADA com o que vejo!
Numa estação de metro de Itália, depois de uma breve discussão, supostamente por causa dum bilhete, um jovem de 20 anos dá um soco numa enfermeira romena de 32. Esta cai estatelada no chão, entra em estado de coma, morrendo mais tarde. MAU, VIOLENTO, DESPREZÍVEL, ABJECTO, INFAME, COBARDE, IGNÓBIL... Ok, tudo isto e mais alguma coisa.
Mas como poderei qualificar a indiferença de uma série de outros cidadãos que, entretanto passaram pela enfermeira inanimada no chão e fizeram de conta que nem a viram? Foi impressionante ver aquela gente ignorar alguém, que poderia ou não, mas o que interessa é que poderia, precisar de auxílio!!!
Só pode ser atitude de pessoas que não são feitas do mesmo que nós! É uma hipótese, não se esqueçam que é gente que tem como presidente Silvio Berlusconi, um dos maiores corruptos e putanheiros da humanidade!... Mas ainda assim não me conformo, não explica tal insensibilidade e frieza. Como é possível???
Estamos a falar duma vida humana, como falámos durante toda a semana a propósito dos mineiros chilenos... ok, é verdade, também como ignorámos as 118 vidas do submarino russo Kursk...
Estou confusa, já nem sei o que pensar. Ora dá para uns e não dá para outros... não entendo, palavra que não!
Alguém me explica?
Porto
"Quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar, vê um velho casario que se estende até ao mar. Quem te vê ao vir da ponte és cascata sanjoanina erigida sobre um monte, no meio da neblina, por ruelas e calçadas, da Ribeira até à Foz, por pedras sujas e gastas e lampiões tristes e sós. Esse teu ar grave e sério dum rosto de cantaria que nos oculta o mistério dessa luz bela e sombria. Ver-te assim abandonado nesse timbre pardacento, nesse teu jeito fechado de quem mói um sentimento... e é sempre a primeira vez, em cada regresso a casa, rever-te nessa altivez de milhafre ferido na asa." - Carlos Tê
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